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Quando a alegria do outro incomoda: o crime de 'A vizinha perfeita'

Atualizado: há 2 dias

Crônica da editora da Revista BENDITA, Patrícia Leão Ferrás


(Imagem: Design Revista Bendita com IA)
(Imagem: Design Revista Bendita com IA)

Estava zapeando os indicados ao Oscar deste ano na Netflix e apareceu o documentário “A vizinha perfeita” da diretora norte-americana Geeta Gandbhir. Já tinha visto as chamadas, logo que o filme foi lançado, mas admito que não quis assistir na época por já sentir o clima pesado. Mas como jornalista, todos os anos assisto a alguns indicados para poder opinar, criar pautas sobre o tema ou mesmo debater com amigos.


Pois bem, é assustador ver como uma pessoa de 58 anos, com ares de senhorinha indefesa, e que deveria ter uma bagagem emocional mais sábia, pode ser tão perversa. A história é um compilado de chamadas à polícia por Susan, que se autodenomina “a vizinha perfeita”, pois não faria nada de mal a ninguém. Pelo contrário, ela é que seria incomodada pela movimentação e barulho das crianças de sua rua.


Sabe-se que toda criança saudável grita, dá gargalhada alto, chora, apita, corre, joga bola, faz festa com suas centenas de possibilidades de brincadeira... São crianças sendo crianças! E em tempos tão tecnológicos, o que mais se quer é que elas aproveitem esses momentos entre os amiguinhos.


Mas a mulher branca, morando sozinha, de meia idade, não suportava toda essa energia. A ponto de ser agressiva, discutir, ofender, falar palavrões para as crianças e ligar inúmeras vezes para a polícia, que ia até sua casa, mais a título de ponderar o problema entre ela e os vizinhos, entre estes, as crianças e suas mães.


Para não dar spoiler, o caso envolve racismo, porte de armas e uma tragédia, mas o que destaco aqui é a atitude agressiva de Susan mediante a alegria do outro. Ela é exatamente o oposto disso, é raivosa, intolerante, acredita estar certa sempre, trata o outro como inimigo ou se acha superior. Uma vida medíocre, sempre colocando a culpa por suas mazelas no outro.


Te parece familiar o perfil de Susan? Algumas pessoas, homens ou mulheres agem assim por um histórico de vida, onde não aprenderam com os erros, não se interessaram em melhorar-se como seres humanos. É o tipo “sou assim, goste ou não goste”. Mas por trás desse pensamento, só se vê desespero e solidão.


Gostaria que essa história tivesse um outro fim, mas, na vida real, cada um tem seu livre arbítrio. A se refletir é como agimos quando algo nos incomoda. Com tolerância ou intolerância? Busca resolver o problema ou reclama como se não fosse parte da solução?


A alegria do outro incomoda quando não se está bem consigo.  E não tem a ver com o outro, tem a ver consigo. Ah, mas se estão azucrinando a vida da pessoa? Converse, ultrapasse seu ego, conheça, combine, solucione junto. Ah, a pessoa ou a situação são impossíveis de abrir diálogo? Mude, cresça, busque uma solução racional para a sua felicidade.


Em qualquer circunstância, o seu ódio sempre vai se voltar contra você. Ah, e a alegria, da mesma forma!


(Texto: Patrícia Leão Ferrás/Revista BENDITA)





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