Novo comportamento no consumo de moda
- Revista Bendita

- há 9 horas
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Artigo por Marines Winter Luft, CEO e Diretora Criativa da marca Rala Bela

É por meio de pesquisa constante e da proximidade com quem vive a marca, que acompanhamos diariamente a jornada do consumidor em 2026. O desenvolvimento de uma nova coleção é guiado por estudo e propósito, conectados a atender às necessidades do novo consumidor do futuro.
Até pouco tempo, o consumidor precisava escolher por fitness ou casual, conforto ou estilo, praticidade ou funcionalidade. Mas em um mundo marcado por contrastes e transformações, ao observar esses movimentos e criar ao lado das nossas clientes, identificamos uma mudança essencial: ela não quer mais optar entre extremos. Quer integrar e viver a era do "E/E", e não mais do "OU/OU".
Essa transição representa uma nova forma de consumir, de expressar identidade e de se relacionar com o próprio tempo, de forma mais consciente e alinhada com quem ela é em todas as suas versões.
O consumidor que não escolhe mais entre extremos
A expressão "a vida é feita de escolhas" orientou a organização da rotina e, por muitas vezes, também contribuiu para a construção de categorias rígidas de comportamento. Ou se está produzindo, ou se está descansando. Ou se está conectada, ou offline.
Vivemos a era da dualidade integrada. O consumidor de 2026 e 2027 não quer decidir entre conforto ou performance, entre casual ou fitness. Ele quer tudo isso junto. São pessoas que treinam e querem se sentir prontas para qualquer ocasião, que procuram por tecnologia para performance, mas sem perder o conforto, que valorizam o minimalismo mas apreciam a inovação tecnológica nos tecidos e querem saber o que está por trás de cada escolha.
O tempo como símbolo de riqueza e a desconexão
No passado, a riqueza estava associada à acumulação de bens materiais. Atualmente, observa-se uma ressignificação desse conceito: o verdadeiro símbolo de status passa a ser o tempo. Tempo para o autocuidado, para a prática de exercícios físicos, para momentos de pausa, para a convivência familiar e para experiências que promovam qualidade de vida.
O mercado global de bem-estar movimenta trilhões de dólares e pesquisas indicam que 84% das pessoas já consideram o bem-estar sua prioridade número um. Nesse cenário, o luxo deixa de ser entendido como excesso e passa a ser percebido como equilíbrio, que integra produtividade, saúde e satisfação pessoal.
Na Rala Bela, essa mudança orienta o desenvolvimento de produtos que vão além do estético. As peças contribuem para a otimização do tempo e para a fluidez da rotina, que possibilitam ir entre trabalho, movimento e momentos de lazer sem a necessidade de muitas trocas.
Dualidade
Foi pensando nesse consumidor que desenvolveu-se o conceito que leva o nome da nova coleção Inverno 2026: Dualidade - O Contraste do Tempo, que será lançada em março. Dualidade é entender que podemos trabalhar com polaridades dentro do nosso tempo: trabalho e treino, natureza e tecnologia, online e offline.
A moda fitness, que antes era vista como um segmento específico, hoje se conecta ao streetwear, ao ambiente de trabalho e à vida social. As divisões entre essas categorias estão se tornando menos definidas e sendo conduzidas pelo próprio consumidor.

Desconexão é o novo luxo?
Essa dualidade também aparece nas escolhas mais simples do dia a dia. Roupas que precisam acompanhar longas jornadas, tecidos que ajudam o corpo a regular a própria temperatura, peças que transitam entre trabalho, movimento e pausa sem exigir trocas constantes.
Há um cuidado crescente com durabilidade, impacto ambiental e com o tempo, o tempo do corpo, da natureza e das decisões conscientes. No meio disso tudo, cresce também a expectativa por transparência, entender de onde vêm os materiais, como as peças são feitas e quais histórias carregam. Vestir-se passa a ser menos sobre acumular e mais sobre escolher melhor, desacelerar quando possível e reconhecer que consumo hoje é também um ato de responsabilidade.
Uma das tendências mais fortes para 2026, é o desejo crescente de desconexão. Parece contraditório em um mundo digital, mas faz todo sentido. À medida que a IA se expande, os consumidores voltam a desejar experiências presenciais, designs com estética para atender às suas necessidades, e técnicas artesanais.




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