Mitos e Verdades do Vaginismo
- Revista Bendita

- 7 de jan.
- 3 min de leitura
Especialistas alertam que normalização da dor dificulta diagnóstico e tratamento. Entenda essa condição caracterizada por contrações involuntárias dos músculos próximos à vagina

O vaginismo representa 10% dos casos de disfunção sexual feminina, segundo dados da Sociedade Internacional para a Medicina Sexual (ISSM). Apesar do índice significativo, o tema ainda é tabu entre mulheres e, muitas vezes, negligenciado por profissionais da saúde.
O vaginismo é uma condição caracterizada por contrações involuntárias dos músculos próximos à vagina, que dificultam ou impedem a penetração vaginal. Essas contrações podem ocorrer durante relações sexuais, exames ginecológicos ou ao inserir absorventes internos, causando dor e desconforto.
Para esclarecer mais sobre a condição e orientar sobre a importância do tratamento, especialistas da Clínica Ginelife desvendam mitos e verdades sobre o vaginismo:
A causa do vaginismo é apenas psicológica
Mito. Existem diversos fatores que podem causar a disfunção. O vaginismo é uma condição multifatorial, que inclui desde aspectos físicos - como alterações no assoalho pélvico- até fatores psicológicos, como estresse, crenças culturais ou traumas passados.
“É como se houvesse uma barreira invisível. Muitas mulheres relatam sentir dor intensa, medo e até pânico durante tentativas de penetração”, explica a ginecologista Ana Carolina Romanini.
O vaginismo só acomete mulheres que estão iniciando a vida sexual
Mito. O problema também pode surgir em mulheres que já tiveram relações sexuais com penetração sem dor anteriormente. “É o que chamamos de vaginismo secundário. As causas podem ser psicológicas ou físicas e, mesmo surgindo após uma vida sexual ativa e sem dores, precisam ser investigadas”, reforça a médica.
Algumas mulheres, mesmo com vaginismo, conseguem ter relação sexual
Verdade. A relação sexual em alguns casos acontece, mas isso depende do grau da condição — que pode variar de leve, permitindo algum nível de penetração, até grave, impossibilitando totalmente o ato. “Em qualquer nível, a dor e o desconforto causam frustração, constrangimento e comprometem seriamente a qualidade de vida da mulher”, afirma a fisioterapeuta pélvica Laura Barrios.
Só usar lubrificante resolve o problema
Mito. O lubrificante pode ser um auxílio, mas não resolve a causa do vaginismo. “Os espasmos na vagina que causam dor e impedem a penetração vão continuar. Por isso, é fundamental procurar ajuda médica e tratamento”, ressalta Barrios.
Vaginismo tem cura
Verdade. Sim, o vaginismo, quando tratado adequadamente, apresenta altos índices de cura. O tratamento pode levar tempo e exige dedicação da paciente. As abordagens incluem acompanhamento com ginecologista, psicoterapia e fisioterapia pélvica.
Vale ressaltar que o vaginismo não compromete apenas a vida sexual da mulher, mas também sua saúde ginecológica de forma geral. Muitas mulheres deixam de realizar exames de rotina devido à dor e ao constrangimento causados pela condição.
A disfunção, embora ainda pouco discutida, é tratável e não define o valor ou a feminilidade de nenhuma mulher. A normalização da dor dificulta que muitas percebam a importância de buscar ajuda e iniciar o tratamento adequado.
“Quanto mais se fala sobre o tema, mais mulheres se sentem acolhidas e encorajadas a buscar tratamento, ressignificando sua sexualidade e recuperando a qualidade de vida. Dor não é normal e nem precisa ser permanente”, finalizam as especialistas.
Sobre as especialistas
Ginecologista Ana Carolina Romanini e a fisioterapeuta Laura Barrios
Dra. Ana Carolina Romanini é ginecologista na Clínica Ginelife. Formada em Medicina, residência em Ginecologia e Obstetrícia e especialização em Videoendoscopia Ginecológica pela Faculdade de Medicina do ABC. Título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Título de especialista em Endoscopia Ginecológica pela Associação Médica Brasileira e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
Laura Barrios é fisioterapeuta pélvica na Clínica Ginelife. Formada em fisioterapia pela Universidade do Grande ABC, com pós-graduação em Fisioterapia Respiratória pela UNICID e em Fisioterapia Pélvica pela Faculdade Inspirar. Mestrado em UTI pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva.
(Texto: Renata Sbrissa, Medellin Comunicação/Fotos: Divulgação)












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