Ilusões digitais: de Brad Pitt em Erechim ao meu caso com Keanu Reeves
- Revista Bendita

- 7 de jan.
- 3 min de leitura
Crônica da editora da Revista BENDITA, Patrícia Leão Ferrás

Sonhar com um romance com o ator ou o cantor preferido, quem nunca? Principalmente na adolescência, período em que admiramos celebridades pela beleza, estilo e comportamento – e até perdoamos eventuais deslizes dessas criaturas, que nada mais são do que seres humanos como nós, com seus problemas, suas limitações e que também admiram outras pessoas como seus modelos.
O importante é não exagerar, porque não são semideuses como aparentam. Claro, fizeram por onde, trabalharam duro para chegar aonde estão – e não me venha com essa história de que chegaram lá pela beleza. Que ela ajuda, ajuda, mas para se manter relevante e bem-sucedido na profissão por tanto tempo, como o caso do norte-americano Brad Pitt, há de se enfrentar desafios de toda natureza, até mesmo para se manter firme e não ser engolido pela fama.
Mas voltando ao deslumbramento pelos ídolos, isso não é só parte da adolescência. Atualmente, vemos muito em relação a políticos, que ascendem ao patamar de um rock star – o que não tem a ver, porque não são artistas, estão em cargos executivos ou legislativos para nos representar e trabalhar em prol da população, tendo seus salários pagos por nós; mas isso é uma outra conversa.
Já o caso da gaúcha que contou a policiais estar vivendo um romance com o ex-marido de Angelina Jolie não me parece deslumbramento, até porque, ela achou bem viável namorar o astro de Hollywood, viajando de sua cidade para o seu suposto encontro em Erechim – em tempo, a mulher, que seria uma vítima de golpe, já está desmentindo toda essa história. E nada se torna impossível nessa vida digital, não é mesmo? Tudo parece acessível; conseguimos acompanhar nossas celebridades favoritas em seu dia a dia, onde elas mostram-se ser “gente como a gente”.
É aí que entram os golpistas. Em relação a isso, tenho uma história para contar. Não, não foi com o Brad Pitt, mas com o Keanu Reeves. Tudo começou em minhas sempre curtas férias, com despreocupadas curtidas em posts do Instagram com a imagem do protagonista da saga “Matrix”. Realmente adoro o trabalho desse ator – além de ser lindo do alto dos seus 61 anos! Foi quando uma pessoa se dizendo ser o próprio, começou a puxar conversa.
Estava de férias mesmo e resolvi dar corda para ver até onde chegava! Dava risada com as amigas, que diziam: “o que tu farias se fosse verdade?”. Como jornalista, já tinha coberto golpes, os quais as vítimas realmente acreditavam, perdiam dinheiro e depois sentiam-se muito envergonhadas. Mas o que sempre digo, a vítima é inocente, quem precisaria se envergonhar seriam os pilantras.
E a pessoa através da tela falava coisas sobre viagens, reuniões para tratar de novos roteiros de filmes, elogios, galanteios no melhor estilo comédia romântica americana... Até marcou uma videochamada, mas não pelo Instagram, pediu para ser pelo Google Meet. Eu e uma amiga vimos um borrão do que seria o rosto do galã, mas logo travou e caiu tudo. Rimos muito e alto! Realmente a diversão foi grande. Neste momento, a pessoa ainda não tinha pedido nada.
Até que a tentativa de golpe chegou. Informou que ele ajudava instituições voltadas à cura da leucemia – e realmente Reeves faz isso, inclusive porque acompanhou a luta de uma irmã contra a doença – e que eu poderia entrar nessa corrente ajudando com o envio de depósitos para uma caixa postal nos Estados Unidos ou algo do tipo.
Nesse ponto, eu já tinha descoberto que a pessoa era uma mulher, com conta privada no Facebook – dá para chegar pelo número do telefone no Whatsapp e o vínculo dele no Facebook, se estiver registrado. Avisei para ela que eu era jornalista, que tinha investigado detalhes sobre a farsa e iria denunciá-la. Aí a criminosa bloqueou tudo.
Tempos depois, o próprio ator (que nem tem Instagram) veio a público informar que golpistas usavam sua identidade para aplicar fraudes em fãs pelo mundo todo. Assim como ele, Brad Pitt, que também não tem perfil oficial nas redes sociais, pediu para ninguém responder mensagens online não solicitadas.
Fica o recado, em tempos fortemente digitais – e com a rápida evolução da Inteligência Artificial – não acredite em tudo que você vê, ouve ou lê. Muito menos dê dinheiro. Fontes oficiais ainda são o melhor remédio contra (des)ilusões.
(Texto: Patrícia Leão Ferrás/Revista BENDITA)








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